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Clóvis Medeiros: Imaginação ou sobrenatural?

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Deixem eu contar uma história. Antigos moradores da localidade de Mato Grande, contavam, com detalhes, impressionantes fatos que se repetiam com regularidade. A uma certa altura da estrada que levava desde o Piquiri até a cidade de Nova Esperança do Sul, havia uma picada, uma estrada estreita que atravessava um mato espesso, beirando penhascos de pedra. Coisas estranhas ocorriam ali. Viajantes que por ali cruzavam, diziam ter ouvido ruídos estranhos, gemidos humanos, barulhos, suspiros. Por medo as pessoas evitavam passar por ali à noite. Contam que um jovem, Belarmino, , visitava a namorada e quando viu, o céu escurecia, a Lua já estava alta. Ele precisava ir embora. Encilhou o cavalo e mesmo com medo, despediu-se da família do futuro sogro que insistia para que ele dormisse e fosse embora no outro dia. Com um pouco de vergonha, fingindo naturalidade e coragem, partiu.

Belarmino era um homem grande, tinha os ossos compridos, canelas longas e sempre foi considerado um homem de coragem. Não fugia nem de briga, fato que ocorreu numas carreiras. Mas naquela noite estava nervoso. Confessou depois que quanto mais se aproximava da curva onde diziam que apareciam figuras sobrenaturais, mais ele ficava nervoso. Rezava, pedindo proteção a Deus e dizia a si mesmo:___Tu é um homem ou um rato? E o cavalo seguia no trote. Lembrava que pessoas mais velhas contavam que uma moça, cujo namorado havia morrido de câncer, optou pelo suicídio e se enforcou na árvore que ficava na curva da estrada. Desde então começou a aparecer como fantasma.  Juntando forças ele pensava:___Tudo isso é fruto de medo coletivo, assombração não existe.

Eis que ouviu ruídos estranhos. Pálido, olhou por cima do ombro e jura ter visto um vulto vestido de branco, não era gente, não tinha uma forma definida, pairava acima do chão, olhando para ele. Arrepiado, aterrorizado ele dizia:___Ó alma, volta para teu lugar. Ruídos estranhos se acentuaram. Fantasmagóricos, assustadores. Ele contava que, pálido como um lençol, paralisado pelo medo, viu o vulto avançar pelo lado da estrada e parar em frente a ele e seu cavalo.  Os ruídos aumentaram, com gemidos, vozes incompreensíveis, passos, vento forte no mato. Frente a um clima de terror absoluto, Belarmino voltou para a casa do sogro, não teve mais coragem de avançar pela estrada sombria.

Desde aquele dia passou a acreditar em histórias sobrenaturais. Afirmava que tudo o que viu não poderia ser fruto da imaginação. Aconselhava as pessoas a respeitarem o desconhecido. —Não creo en las bruxas pero que las hay, las hay!

Clóvis Medeiros

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